Deitado com o rosto colado no travesseiro, o inerte continua a sonhar. Olhos cerrados para o mundo. O balançar do corpo a cada respiração. O abrir e fechar das narinas parcialmente obstruídas.
Onde está minha mente agora? Por onde vago?
- A falta de consciência o assusta. A consciência demais o apavora, o culpa. (Observadores)
E assim dizia ele:
Não precisava ter sido assim... Ainda sonho com vocês. Ainda sonho com todos aqueles momentos que idealizei. Deus! Tu, senhor, sabes o quanto corri... Sabes o quanto bati de porta em porta para desconhecidos apaixonantes. Naveguei com garras de guerreiro solitário. Porém, não era somente isso...
Chorei para as pedras! Chorei angústias e medos, enquanto aqueles cobravam-me cada centavo de minha dedicação. Jamais esquecerei aqueles olhares mortos para o concreto em que repousavam. Todos com suas cabeças semi-apontadas para o chão. Todos! Sem exceção!
Mesmo desconcertado, pude ver em um deles, falsas lágrimas de pavor. Como seria agora? Como agiriam aqueles que continuariam sem o seu faz-tudo? Jamais sentiriam, jamais sequer sentiriam. O lugar já estava ocupado. Não houve luto nem desespero. O amargo desceria em uma só garganta. O embrulho cairia em um só estômago. Por isso a demora para esta grosseira digestão injusta.
Sumam daqui, fantasmas ingratos! Desenlacem suas impressões do meu coração! E lixem seus dentes para que não corram o risco de morderem suas próprias línguas e caírem mortos com seus próprios venenos camuflados!
É só o que concluo... Nenhuma palavra amiga, nenhum abraço de arrependimento tampouco de compaixão. Todos aqueles anos servirão única e exclusivamente a mim! Que pena, senhores... Ainda lamento por vocês. Lamento por tudo o que senti, pelo amor que tive e pelo descaso que recebi.
Ainda sonho. Ainda os vejo. Raramente os procuro. O que será que o mundo reservou para este caminho sem volta?
- Daqui, meu caros, podemos perceber o quanto ainda dói. Talvez por isso, quando este dorme, acaba por aceitar o bálsamo temporário do "não pensar". (Observadores)
Estas cenas repetidas registradas em minha mente. Como apagá-las? Porque não me procuraram para se redimirem?
Amei-os! Dei minhas palavras e sensações a todos os julgamentos desconhecidos. Doei-me por completo.
Parte I
Gutto
domingo, 31 de janeiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Cinza.
Existem coisas que a vida não permitirá que entendamos. Talvez por falta de merecimento por parte de nós mesmos. Talvez por falta de preparação. Não sei. Definitivamente não sei.
O que sei é que nunca saberei o dia do fim. O fim pelo fim. Não, não creio em fim pelo fim. Talvez seja a renovação para o incerto.
Existe uma frase que gosto muito. Faz parte de uma música que tenho ouvido bastante, se chama "Antes do fim".
"Quando a vida deu sinal, estava olhando para os pés."
Que sinais temos que perceber da vida? Que sinais devemos seguir para nos tornarmos pessoas melhores, ou pessoas realizadas. Meu Deus! Quantas incertezas carregamos em nossos íntimos.
"Quanto tempo de atenção aos que falam sem saber..."
Esse período cinza, essas chuvas descompassadas me fazem pensar.
O que será que será?
Que caixa escolher?
Que balão estourar?
O que é que virá?
Gutto
O que sei é que nunca saberei o dia do fim. O fim pelo fim. Não, não creio em fim pelo fim. Talvez seja a renovação para o incerto.
Existe uma frase que gosto muito. Faz parte de uma música que tenho ouvido bastante, se chama "Antes do fim".
"Quando a vida deu sinal, estava olhando para os pés."
Que sinais temos que perceber da vida? Que sinais devemos seguir para nos tornarmos pessoas melhores, ou pessoas realizadas. Meu Deus! Quantas incertezas carregamos em nossos íntimos.
"Quanto tempo de atenção aos que falam sem saber..."
Esse período cinza, essas chuvas descompassadas me fazem pensar.
O que será que será?
Que caixa escolher?
Que balão estourar?
O que é que virá?
Gutto
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Notícias do submundo.
Chuva! Muita chuva!
Estou há 2 semanas em São Paulo e já descobri que o título "TERRA DA GAROA" é ilusão. A cidade deveria receber o título de "TERRA DO TORÓ". Meu Deus! Nunca vi tanta chuva na minha vida. O trânsito é caótico e os ônibus são sempre lotados. São Paulo não dorme!
Fora a quantidade de água que cai sobre São Paulo todos os dias em forma de temporais absurdamente fortes, estou bem. Bem de saúde e bem mais organizado. Nunca pensei que fosse me ajeitar.
Já sinto saudades de muitas coisas de Porto Alegre. Aqui o preço de 1kg de erva mate é quase 9 reais. E não é a das boas. Não comprei porque acho um absurdo. Por isso pretendo comprar em POA quando retornar.
Já conheci pessoas muito legais, assim como outras nem tanto. O fato é que a experiência de não estar na sua zona de conforto é muito boa. Tudo está valendo a pena. Dispenso as hipóteses que possivelmente foram criadas a partir da minha vinda para cá, minha e da Rafa. Quem nos conhece de verdade, nossos verdadeiros amigos não questionam, não criam hipóteses. Nosso verdadeiros amigos sorriram muito para nós e estão nos enviando todas as melhores energias do mundo. Obrigado!
Enfim, cada dia que passa, surgem novas histórias para contar.
Saudades do Bob! Quero muito visitar ele quando voltar e tomar um café com bolo! Saudades do Beto, do Naz, do Fábio, da Dani, da Cláudia e de todos meus amigos.
Neste exato momento parou de chover, apesar do tempo continuar nublado.
Ah, comer em casa é sempre a melhor escolha! São Paulo ainda não aprendeu a tabelar seus preços. Principalmente o da comida.
Beijos a todos!
Estou há 2 semanas em São Paulo e já descobri que o título "TERRA DA GAROA" é ilusão. A cidade deveria receber o título de "TERRA DO TORÓ". Meu Deus! Nunca vi tanta chuva na minha vida. O trânsito é caótico e os ônibus são sempre lotados. São Paulo não dorme!
Fora a quantidade de água que cai sobre São Paulo todos os dias em forma de temporais absurdamente fortes, estou bem. Bem de saúde e bem mais organizado. Nunca pensei que fosse me ajeitar.
Já sinto saudades de muitas coisas de Porto Alegre. Aqui o preço de 1kg de erva mate é quase 9 reais. E não é a das boas. Não comprei porque acho um absurdo. Por isso pretendo comprar em POA quando retornar.
Já conheci pessoas muito legais, assim como outras nem tanto. O fato é que a experiência de não estar na sua zona de conforto é muito boa. Tudo está valendo a pena. Dispenso as hipóteses que possivelmente foram criadas a partir da minha vinda para cá, minha e da Rafa. Quem nos conhece de verdade, nossos verdadeiros amigos não questionam, não criam hipóteses. Nosso verdadeiros amigos sorriram muito para nós e estão nos enviando todas as melhores energias do mundo. Obrigado!
Enfim, cada dia que passa, surgem novas histórias para contar.
Saudades do Bob! Quero muito visitar ele quando voltar e tomar um café com bolo! Saudades do Beto, do Naz, do Fábio, da Dani, da Cláudia e de todos meus amigos.
Neste exato momento parou de chover, apesar do tempo continuar nublado.
Ah, comer em casa é sempre a melhor escolha! São Paulo ainda não aprendeu a tabelar seus preços. Principalmente o da comida.
Beijos a todos!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Sono.
Qual é o sonho que desnorteia?
Noite após noite acordo com a sensação de vagar. Acordam-me com a sensação de que estou vagando. Curioso.
Há alguns dias tenho dormido cedo e acordado cedo. A mudança da rotina altera as funções corporais que, já viciadas por essa, alimentam-se do que é de costume.
Se vivo, questiono-me por estar vivo. Se caminho, questiono-me para onde estou indo. São perguntas atrás de perguntas. Perguntas bobas. Óbvias. Perguntas clichês típicas de novelinhas mexicanas.
No fundo sou meio clichê. Sou brega e razoavelmente transparente. Aos diabos com os rótulos. Aos diabos com os questionamentos. A partir de hoje sou aquele que não guarda rancor, que não teme o que não existe. Aquele que recomenda, que auxilia, que profere a palavra amiga, que prega, que sorri para os angustiados. Quanta utopia...
Vai dormir, sonhador! Vai sonhar teus desejos! Se alcançares, volte aqui e preste contas dos teus sentimentos. Aguardarei o balanço do teu hoje e to teu ontem.
Feliz é aquele que sonha sem compromisso.
Gutto
Noite após noite acordo com a sensação de vagar. Acordam-me com a sensação de que estou vagando. Curioso.
Há alguns dias tenho dormido cedo e acordado cedo. A mudança da rotina altera as funções corporais que, já viciadas por essa, alimentam-se do que é de costume.
Se vivo, questiono-me por estar vivo. Se caminho, questiono-me para onde estou indo. São perguntas atrás de perguntas. Perguntas bobas. Óbvias. Perguntas clichês típicas de novelinhas mexicanas.
No fundo sou meio clichê. Sou brega e razoavelmente transparente. Aos diabos com os rótulos. Aos diabos com os questionamentos. A partir de hoje sou aquele que não guarda rancor, que não teme o que não existe. Aquele que recomenda, que auxilia, que profere a palavra amiga, que prega, que sorri para os angustiados. Quanta utopia...
Vai dormir, sonhador! Vai sonhar teus desejos! Se alcançares, volte aqui e preste contas dos teus sentimentos. Aguardarei o balanço do teu hoje e to teu ontem.
Feliz é aquele que sonha sem compromisso.
Gutto
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Ventos e Marcas.

Queria ser um gramado bem aparado. Destes que dá gosto de ver. Queria ser livre de falhas e falsas pinturas.
Em cada pessoa há uma marca. Uma marca profunda. Se observadas de fora, são como pequeninos flocos de gelo que planam ao vento. Só os vemos nos poucos segundos que, carregados pelos ares, surgem na nossa frente. Depois, os flocos continuam a planar e as marcas a existir e perdurar por tempo indeterminado.
O tempo de cada marca é único. Não se pode intervir no viver de uma marca, mesmo esta sendo sua. Digo isso pois o tempo é justo com cada situação. Cada uma se acaba e se apaga por si só. Porém, o apagar-marcas é tarefa de quem as têm.
Não é fácil encontrá-las. Não é fácil encará-las. As marcas, muitas vezes, possuem olhos de cobrança, de vergonha e de dor. Algumas possuem olhos doces e chegam até a sorrir. Estas, raríssimas, elevam a alma aos céus. Quando estas encontramos, devemos sorrir, respirar fundo e recarregar as energias para novas batalhas.
Viver não é tão simples quanto parece. Quando os tempos de ignorância acolhem nossas mentes os critérios caem, as boas vibrações escorrem pelos dedos e... definhamos por aí. Já quando os tempos de reflexões contemplam nossas cabeças com o discernimento necessário, vivemos em paz.
Mais fácil é evitar do que remediar. O remédio pode ser amargo e a dose compatível com a enfermidade. Porém, nadar até o outro lado do rio nem sempre é perigoso. Observe as correntezas e mantenha um pé sempre de encontro ao solo. Sê cauteloso.
Bons ventos virão.
Gutto
Em cada pessoa há uma marca. Uma marca profunda. Se observadas de fora, são como pequeninos flocos de gelo que planam ao vento. Só os vemos nos poucos segundos que, carregados pelos ares, surgem na nossa frente. Depois, os flocos continuam a planar e as marcas a existir e perdurar por tempo indeterminado.
O tempo de cada marca é único. Não se pode intervir no viver de uma marca, mesmo esta sendo sua. Digo isso pois o tempo é justo com cada situação. Cada uma se acaba e se apaga por si só. Porém, o apagar-marcas é tarefa de quem as têm.
Não é fácil encontrá-las. Não é fácil encará-las. As marcas, muitas vezes, possuem olhos de cobrança, de vergonha e de dor. Algumas possuem olhos doces e chegam até a sorrir. Estas, raríssimas, elevam a alma aos céus. Quando estas encontramos, devemos sorrir, respirar fundo e recarregar as energias para novas batalhas.
Viver não é tão simples quanto parece. Quando os tempos de ignorância acolhem nossas mentes os critérios caem, as boas vibrações escorrem pelos dedos e... definhamos por aí. Já quando os tempos de reflexões contemplam nossas cabeças com o discernimento necessário, vivemos em paz.
Mais fácil é evitar do que remediar. O remédio pode ser amargo e a dose compatível com a enfermidade. Porém, nadar até o outro lado do rio nem sempre é perigoso. Observe as correntezas e mantenha um pé sempre de encontro ao solo. Sê cauteloso.
Bons ventos virão.
Gutto
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Os dois lados da moeda.
Há 3 dias estou desfrutando de umas férias inventadas. Digo férias inventandas porque, talvez, atores, músicos e artistas em geral, não façam parte do rol de profissões convencionais de carteira assinada e décimo terceiro salário.
Quando o ano inicia, sinto como se estivesse com a passagem comprada para a praia. O mês escolhido quase que inconscientemente é dezembro. Se tudo correr bem, quem sabe, alguns dias de janeiro acabam acomodando-se no prazo. Assim, fecho os olhos, abro-os novamente e... PÁ! Estou sentado naquela areia fofa em uma cadeira amarela - de plástico e com a marca de alguma cerveja, olhando o mar de poucas ondas espumadas.
Não uso relógio - falta de costume ou de paciência - e quando estou na praia não sinto necessidade de andar com o celular, mas a certeza de tempo passando é fenomenal. Trinta segundos! Em trinta segundos aparecerá ao norte de onde aponta minha retina algum ambulante vendendo alguma coisa que, naquele momento, certamente não me interessará:
- ÓIA O QUEIJO! ASSA NA HORA!
- ÓIA A CASTANHA! VAI AÍ FREGUESIA, SEM COMPROMISSO!
- ÓCULOS ESCUROS! PREÇO BOM!
- ÓIA O PASSEIO DE ESCUNA!
- ÓIA O MILHO! TÁ QUENTINHO, MELHOR MILHO DA PRAIA!
- TATUAGEM DE RENA! SÓ ESCOLHER!
Com exceção do milho e dos passeios de escunas no Pérola Negra, os demais vendedores praianos quase enfiam a mercadoria dentro dos nossos narizes. Decidi este ano não responder a nenhum. Nem sim nem não, nem nada! Simplesmente ignorá-los. Afinal, se tivesse que responder a todos que me oferecem algo de trinta em trinta segundos existiria grande chance de perder a cabeça e chamá-los aos berros de inconvenientes.
Lembro-me de Porto Alegre, onde os vendedores ambulantes que comercializavam as mercadorias de procedência duvidosa foram proibidos de perambular pelas ruas, designados assim, por lei, a levantar uma tenda no camelódromo. Já estas criaturas que cicatrizam as praias com suas peles absurdamente bronzeadas e maltratas pelos raios ultra-violeta ainda circulam com o pão de cada dia nas mãos, na cabeça, nas costas e onde mais conseguirem carregar.
Por sorte tenho momentos de reflexão dentro do ócio que conquistei a partir de minha própria vontade. Sinto-me pesado. Jamais queria ter desenvolvido um pensamento de repulsão por estes irmãos, lutadores da praia, cada qual com seu sotaque, sua tática, persuasão, necessidade e histórias.
Amanhã irei à praia. Mas antes, dormirei em boa cama, chicotearei de olhos fechados algumas atitudes e, silenciosamente, perdoarei minha alma com coragem e reflexão. Já os ambulantes dormirão na praia, alguns em casebres com largas frestas de cupins, e outros talvez nem descanso terão. Estarão lá com os mesmos ganha-pães nas costas, nas cabeças e onde mais puderem carregar.
Espero negar as investidas, e, quem sabe, até sorri, brincar, imitar os sotaques, passar algo de bom, olhá-los nos olhos, sei lá...
Gutto
Quando o ano inicia, sinto como se estivesse com a passagem comprada para a praia. O mês escolhido quase que inconscientemente é dezembro. Se tudo correr bem, quem sabe, alguns dias de janeiro acabam acomodando-se no prazo. Assim, fecho os olhos, abro-os novamente e... PÁ! Estou sentado naquela areia fofa em uma cadeira amarela - de plástico e com a marca de alguma cerveja, olhando o mar de poucas ondas espumadas.
Não uso relógio - falta de costume ou de paciência - e quando estou na praia não sinto necessidade de andar com o celular, mas a certeza de tempo passando é fenomenal. Trinta segundos! Em trinta segundos aparecerá ao norte de onde aponta minha retina algum ambulante vendendo alguma coisa que, naquele momento, certamente não me interessará:
- ÓIA O QUEIJO! ASSA NA HORA!
- ÓIA A CASTANHA! VAI AÍ FREGUESIA, SEM COMPROMISSO!
- ÓCULOS ESCUROS! PREÇO BOM!
- ÓIA O PASSEIO DE ESCUNA!
- ÓIA O MILHO! TÁ QUENTINHO, MELHOR MILHO DA PRAIA!
- TATUAGEM DE RENA! SÓ ESCOLHER!
Com exceção do milho e dos passeios de escunas no Pérola Negra, os demais vendedores praianos quase enfiam a mercadoria dentro dos nossos narizes. Decidi este ano não responder a nenhum. Nem sim nem não, nem nada! Simplesmente ignorá-los. Afinal, se tivesse que responder a todos que me oferecem algo de trinta em trinta segundos existiria grande chance de perder a cabeça e chamá-los aos berros de inconvenientes.
Lembro-me de Porto Alegre, onde os vendedores ambulantes que comercializavam as mercadorias de procedência duvidosa foram proibidos de perambular pelas ruas, designados assim, por lei, a levantar uma tenda no camelódromo. Já estas criaturas que cicatrizam as praias com suas peles absurdamente bronzeadas e maltratas pelos raios ultra-violeta ainda circulam com o pão de cada dia nas mãos, na cabeça, nas costas e onde mais conseguirem carregar.
Por sorte tenho momentos de reflexão dentro do ócio que conquistei a partir de minha própria vontade. Sinto-me pesado. Jamais queria ter desenvolvido um pensamento de repulsão por estes irmãos, lutadores da praia, cada qual com seu sotaque, sua tática, persuasão, necessidade e histórias.
Amanhã irei à praia. Mas antes, dormirei em boa cama, chicotearei de olhos fechados algumas atitudes e, silenciosamente, perdoarei minha alma com coragem e reflexão. Já os ambulantes dormirão na praia, alguns em casebres com largas frestas de cupins, e outros talvez nem descanso terão. Estarão lá com os mesmos ganha-pães nas costas, nas cabeças e onde mais puderem carregar.
Espero negar as investidas, e, quem sabe, até sorri, brincar, imitar os sotaques, passar algo de bom, olhá-los nos olhos, sei lá...
Gutto
sábado, 12 de dezembro de 2009
Dedos.
Nunca imaginei que palavras costuradas por momentos de inquietude, pudessem fazer alguém parar diante de uma tela de computador e ler aquilo que escrevi. Se isto acontece, se você está aqui, se costura estas mesmas palavras movendo seus olhos da esquerda para a direita sobre estas linhas, talvez sejamos, de certa forma, parecidos.
Quando o tempo nubla meu coração aperta. Não creio que o céu cinzento e as rajadas de ventos gelados, com suas minúsculas partículas de águas que voam em direções diversas, sejam os fatores determinantes para emergir angústias em quem quer que seja. O momento de calar e olhar para dentro são impostos pelas reflexões de nossos erros, acertos e momentos de ignorância. Faça chuva ou faça sol.
Recentemente adotei uma frase proferida por uma alma linda e abnegada. “Tomar do arado, e não olhar para trás”. Em tudo o que vivemos, adquirimos algum aprendizado. Hoje as portas se abrem, amanhã se fecham e lá estamos nós, andando de um lado para o outro. O ser humano é humanizado pela dor e pela consciência.
A chuva forte, a tormenta, e os ventos devastadores somente surgem quando ficamos frágeis. O nublar do dia não nos torna frágeis. Não nos basta equilibrar o corpo. Se a ligação corpo e mente não se estabelece, nem um nem outro adquire êxito na mudança para o “ser” melhor.
Quero ser melhor. Para isso, espero saber ficar o tempo necessário, somente o necessário para o meu entendimento em cada degrau que minhas pernas alcançarem.
Hoje parei para analisar dois dedos de minhas mãos. Há alguns dias eles queimam de dentro para fora e nada vejo externamente. Poderia ficar dias repousando-os na água gelada, mas, prefiro antes, senti-los com carinho, paciência e compreensão. Talvez eles tenham algo a me dizer... E eu estarei aqui. Presente.
Quando o tempo nubla meu coração aperta. Não creio que o céu cinzento e as rajadas de ventos gelados, com suas minúsculas partículas de águas que voam em direções diversas, sejam os fatores determinantes para emergir angústias em quem quer que seja. O momento de calar e olhar para dentro são impostos pelas reflexões de nossos erros, acertos e momentos de ignorância. Faça chuva ou faça sol.
Recentemente adotei uma frase proferida por uma alma linda e abnegada. “Tomar do arado, e não olhar para trás”. Em tudo o que vivemos, adquirimos algum aprendizado. Hoje as portas se abrem, amanhã se fecham e lá estamos nós, andando de um lado para o outro. O ser humano é humanizado pela dor e pela consciência.
A chuva forte, a tormenta, e os ventos devastadores somente surgem quando ficamos frágeis. O nublar do dia não nos torna frágeis. Não nos basta equilibrar o corpo. Se a ligação corpo e mente não se estabelece, nem um nem outro adquire êxito na mudança para o “ser” melhor.
Quero ser melhor. Para isso, espero saber ficar o tempo necessário, somente o necessário para o meu entendimento em cada degrau que minhas pernas alcançarem.
Hoje parei para analisar dois dedos de minhas mãos. Há alguns dias eles queimam de dentro para fora e nada vejo externamente. Poderia ficar dias repousando-os na água gelada, mas, prefiro antes, senti-los com carinho, paciência e compreensão. Talvez eles tenham algo a me dizer... E eu estarei aqui. Presente.
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