segunda-feira, 30 de novembro de 2009

CRITIQUE-SE?

Sentei-me para comer um risoles de frango num estabelecimento da universidade na qual estudo. Olhei para o salgado recém frito e pensei, "A cara está ótima!". Coloquei-o em uma bandeja coberta por dois guardanapos de papel e procurei cuidadosamente uma mesa para sentar e degustar aquela iguaria. Ao acomodar-me, percebi que três pessoas conversavam em uma mesa próxima:

- O cara tem 4 filhos! Dois com uma mulher e agora mais dois com a outra.
- É, isso é um problema. O lance é se planejar. Sem planejamento nada sai certo.
- Pois é, sem planejamento a coisa complica.

Estava no terceiro pedaço de meu manjar afrodisíaco quando parei involuntariamente para refletir sobre as afirmações que acabara de ouvir.

Quer dizer que sem planejamento nada sai certo? Meu Deus! Agora tudo está claro em minha mente. Na verdade não está! Quem é você? Como você afirma isto com tanta certeza?

Existem pessoas que valem-se de suas experiências como certezas de uma vida exemplar e padrão.

Default! Default!

As outras possibilidades de encarar a existência terrestre são, além de criticadas, taxadas como incorretas e irresponsáveis. Que homem irresponsável este que teve 4 filhos sem se planejar, não é?

A crítica é a opinião que surge de uma mente com suas influências a partir de suas prioridades e valores. A crítica é uma forma muito perigosa de demonstrar insegurança e frustrações adquiridas ao longo da vida.

Existe uma crítica verdadeira? Existe uma crítica construtiva? Que papo é esse? Que intuito se tem ao criticar algo ou alguém?

Tive a oportunidade de perceber, neste pouco tempo em que exerço minhas experiências na vida, que a melhor forma de crescimento é o auxílio. A crítica é uma oposição ao auxílio. A crítica carrega uma essência pesada e ruim.

A palavra CRÍTICA é pesada! Seu sentido é negativo. Digo isso por mim. É o que sinto quando ouço CRÍTICA e leio CRÍTICA.

Cuide-se ao afirmar seus valores e ou frustrações perante uma história alheia. Podem tomar o que você diz como verdade.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Coisa simples.

Costumo dormir de barriga para baixo. Tic, tac, tic, tac...

Me viro de um lado, me viro de outro.

Dormir é uma tarefa difícil. Alto da madrugada acordo. Ora é o braço direito, ora é o braço esquerdo, ambos formigam pela falta de circulação de sangue. Minguinhos e anelares inertes, mortos temporariamente não respondem aos comandos. Corpo relaxado e mente inquieta. Dobro o travesseiro. Desdobro. Ansiedade, zumbido no ouvido. A tensão do dia que está se pondo direciona-se totalmente para cima. Como desligar essa massa encefálica responsável pela sobrevivência de um corpo?

Por que tenho pesadelos?

A vida parece-me complicada. Viver, abrir os olhos, caminhar, sorrir, falsear, compreender, interpretar...

Talvez tenha que dar mais importância ao momento de dormir. É isso!

Preocupamo-nos diariamente com os empecilhos e dificuldades que a vida nos impõe (de livre-arbítrio). E, talvez, esquecemo-nos do momento de dormir. Dormir não é deitar na cama para recuperar energias. Dormir é continuar um processo interminável de equilíbrio carnal e espiritual.

Preciso de um travesseiro maior, um colchão sem molas e uma brisa nos pés.

Em grande parte dessas dormidas, desfruto de um abraço recheado de amor e do sorriso mais belo do mundo. Quatro olhos horizontalmente despertam sorrindo. Cada um no seu lado, com suas roupas, com suas maneiras e manias.

Agora, o colchão sem molas...

domingo, 15 de novembro de 2009

Só.

Certo dia, um menino ingênuo sentiu que poderia guardar consigo uma pureza adocicada. Um dia de sol marcou para sempre sua pouca idade com uma sensação estranha.

O menino deixou escapar a dádiva daquela pureza com o passar dos anos. Almeja hoje, com uma ingenuidade madura, reaprender aquilo que um dia soube de graça.

A casa em que sentiu a deliciosa sensação continua modesta.

A certeza de sentir o passado, garante a perenidade de tudo aquilo que nos escapa pelos dedos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Muito barulho.

Prefiro calar-me ao gritar a plenos pulmões
Prefiro mudar ao seguir ilusões
Fazer por fazer é um tempo perdido
Dizer por dizer não me vale.

O barulho incomoda meu sono.
Balanço uma das pernas quando escrevo
Um segundo é de suma importância
A ação mata o medo.