sábado, 5 de setembro de 2009

Ansiedade.

Sempre fui uma pessoa ansiosa. Convivi com a ansiedade de todos os lados, de todas as maneiras e de todos os jeitos que se possa imaginar.

Lembro-me perfeitamente das visitas da minha avó Geny, da cidade de Erechim-RS, para Porto Alegre. Ela costumava chegar sempre às 11h - quando se é pequeno é difícil escolher os próprios programas de lazer; então costumava aceitar os convites de meu pai para receber a avó na rodoviária. O fato é que, não entendia qual o motivo de chegar na rodoviária sempre, no mínimo, com 1h e meia de antecedência. Antes de arriscar fazer a pergunta que saciaria minha inquietude, meu pai respondia:

- Vamos logo porque demora 1h para chegarmos à rodoviária. Não podemos chegar atrasado para receber a vó Geny.

Nada o fazia mudar de idéia. Nem mesmo o fato de que o ônibus que nos levava até a rodoviária não demorava 1h para chegar ao nosso destino, mas sim 30min:

- E se acontecer algum imprevisto? Vai que tenha engarrafamento?

Negócio fechado. A criança convencida dos perigos gerados pelas famigeradas hipóteses catastróficas, aquiescia.

Dos meus belos 10 anos aos meus errantes e interessantes 27, muita coisa mudou. Hoje, a vó Geny está impossibilitada de viajar longas distâncias devido a idade avançada. Consequentemente meu querido pai não costuma ir recebê-la na rodoviária. Inevitavelmente não recebo mais convites para ir junto. Mas ainda sinto a ansiedade, e o desespero da pressa, correndo como sangue em minhas veias.

Não considero a ansiedade herdada um problema irremediável. Mesmo porque hoje existem ótimos ansiolíticos e um notório desenvolvimento da indústria medicinal. Mas considero um problema. Um grave problema que tem de ser compreendido e tratado. Seja com força de vontade, seja com medicamentos. Mas tem de ser tratado. Confesso que a primeira opção me agrada mais.

Olhar para o passado é uma fantástica opção para compreender algum problema do presente. Tenho aprendido muito com essa técnica. Ah, e é claro, ter pessoas que possam lhe apontar os erros sem medo de onfedê-lo(a).

Obrigado, Teatro! Obrigado a todas as pessoas que apontam o dedo na minha cara e me dizem: "Você está errado!"

Se não estivesse tão ansioso, escreveria mais. Mas quero publicar logo este texto! Vai que o site saia do ar e só volte daqui uns dois dias...






Gutto Szuster

Um comentário:

  1. Ansiedade... as vezes ela consegue me tirar o sono e, ansioso por algo que vai acontecer no outro dia, viro a noite em claro.
    E a ansiedade no dia de uma grande estréia? Fico o dia inteiro sem conseguir me concentrar em outras coisa que não a estréia. Nada fora do comum, na real. Hehehe.
    Grande abraço!

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