segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Olheiras.

Quem me dera sorrir ao acordar!

O sorriso que não toma forma ao despertar de mais um dia, tornou-se uma frustração em minhas reflexões. Me entrego ao complexo da vida, pois quero entender cada gesto mínimo do meu corpo. O "porquê" de tudo.

Se a vida é realmente tão bela, por que não consigo sorrir quando acordo? Por que o simples fato de mostrar os dentes pela manhã é tão difícil? Quero gargalhar ao despertar. Sorrir com fervor, sorrir com intensidade.

Possuo olheiras profundas. Olheiras de caráter genético, de caráter duvidoso. Olheiras tão profundas que desenham um globo escuro e enigmático em torno de meus olhos. Quando sorrio durante o dia elas deixam-me irônico. Algumas vezes, elas deixam-me cansado, noutras, agitado.

Se um dia acordar sorrindo espontaneamente, sem entender e sem questionar, as olheiras, aos meus olhos, desaparecerão.

Possuo olheiras profundas. Olheiras que me acompanham. Olheiras que, inevitavelmente, me acompanharão.



Gutto Szuster

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