domingo, 21 de março de 2010

Sem pensar, não pergunte.

Era noite, sentei-me no mármore da entrada de um teatro em São Paulo para conversar com duas pessoas especiais. Bebia cerveja de lata enquanto a conversa rolava despretensiosamente. Após alguns minutos sentado naquele espaço, um menino, morador de rua com olhar assustado, magro, cabelos ralos e eriçados, caminhou na nossa direção e pediu 20 centavos. Na ocasião ele alegara precisar de 20 centavos para completar o valor de um milho que compraria para comer. No primeiro instante eu balancei a cabeça em um sinal de não, já uma das pessoas especiais ao meu lado sorriu entregando prontamente os 20 centavos. O menino agradeceu calmamente e disse que muitas pessoas falavam que ele tinha jeito de ator.

Sem pensar perguntei:

- Você gosta de teatro?
- Gosto sim, todos os dias venho aqui na frente pedir dinheiro.





Gutto

Um comentário:

  1. É de arraso essa minicrônica!
    (Tive muita sorte como profissional na universidade. Mais sorte ainda como aluna dessas feras, fauvistas do século XXI).
    GRANDE Guto.
    Abração, querido.

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